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EuPTCVHe0872-07542013000300013

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National varietyEu
Year2013
SourceScielo

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Caso endoscópico

A Sara foi observada na consulta de Gastroenterologia Pediátrica aos 10 anos de idade por lhe ter sido diagnosticada anemia hipocrómica e microcítica com parâmetros baixos de ferro sérico.

A nossa doente era filha única de casal saudável, com normal desenvolvimento estaturo-ponderal e psicomotor, sem antecedentes patológicos relevantes e que nos últimos meses referia sentir, de forma intermitente, mal estar abdominal tipo cólica pouco intensa, mais frequentemente localizada na fossa ilíaca direita, por vezes ocorrendo pouco tempo após a ingestão de alimentos e desencadeando dejeção urgente com alívio do quadro álgico. Este quadro não interferia com a sua atividade diária, mas começou a ocorrer por vezes durante o sono, acordando a doente, razão pela qual consultou o médico de família. A consulta foi seguida de estudo analítico sumário onde foi diagnosticada a anemia referida (Hg-10,5gr/dl).

Enviada à consulta de Gastroenterologia Pediátrica foi-lhe diagnosticada Doença de Crohn ileocólica(L3) com base no quadro clínico, estudo analítico e observação endoscópica do tubo digestivo e estudo histológico das biópsias digestivas. A doença envolvia todo o cólon direito até ao ângulo hepático e os últimos 7 cm do ileum terminal.

A doente iniciou tratamento, inicialmente apenas com prednisolona oral (1mg/ kg), a que posteriormente adicionou azatioprina (1,5mg/kg), verificando-se melhoria clínica e laboratorial.

Desde então, e durante o período de cerca de um ano, foi tentada por diversas vezes a suspensão da terapêutica corticoide, verificando-se sempre rápida e intensa recidiva da sua doença inflamatória, o que motivou a opção pelo tratamento com Infliximab (Anti-TNF).

Cerca de um ano depois de iniciar este tratamento com boa resposta, a doente efetuou exame endoscópico de controlo que permitiu observar ao nível do cego as imagens que apresentamos.

Qual lhe parece o diagnóstico mais provável? 1 ' Doença de Crohn ativa 2 ' Lesões cicatriciais deformantes 3 ' Tumor polipoide do cólon 4 ' Aspetos normais.

COMENTÁRIOS As imagens que apresentamos mostram deformação cicatricial do cólon ascendente (Figura_1) e da válvula ileocecal com estenose e aspeto polipoide (Figura_2).

Não foi possível ultrapassar a válvula ileocecal pelo que não temos observação endoscópica do intestino delgado.

A atividade inflamatória era muito escassa junto da válvula ileocecal e o estudo analítico então realizado era normal, pelo que a primeira hipótese estava fora de questão. Os aspetos observados não são normais para este segmento digestivo e o aspeto polipoide evidenciado resulta de deformação cicatricial e não tem carácter tumoral.

Concluímos tratar-se de deformação cicatricial resultante da cicatrização de lesões graves, profundas, do cólon direito e região valvular, resultantes do tratamento com sucesso com medicamento biológico. A deformação marcada da transição ileocecal com estenose e rigidez faz prever a necessidade de futura correção cirúrgica.

Palavras-chave: Anemia, Doença de Crohn, Infliximab.


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