Home   |   Structure   |   Research   |   Resources   |   Members   |   Training   |   Activities   |   Contact

EN | PT

EuPTCVAg0871-018X2012000200022

EuPTCVAg0871-018X2012000200022

variedadeEu
Country of publicationPT
colégioLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0871-018X
ano2012
Issue0002
Article number00022

O script do Java parece estar desligado, ou então houve um erro de comunicação. Ligue o script do Java para mais opções de representação.

Estimativa do risco de Traça-Verde, Palpita vitrealis (Rossi) amplificada por contaminate?

INTRODUÇÃO Recentemente, com a modernização e intensificação dos olivais, tem-se assistido ao agravamento de pragas que embora surjam ocasionalmente em algumas regiões, na bacia do Mediterrâneo, por exemplo no Egipto, têm tido elevada importância.

Segundo Hegazi et al. (2006), a traça-verde, Palpita vitrealis (Rossi) (Lepidoptera: Crambidae), tornou-se, recentemente, praga-chave nos olivais, originando estragos ao nível das folhas e podendo mesmo atacar os frutos, provocando prejuízos elevados em árvores jovens. Em Portugal, nos últimos anos, esta praga tem causado algumas preocupações pontuais em algumas regiões do interior do país, mas continua a existir enorme falta de informação sobre a mesma.

Este estudo teve por objectivo contribuir para melhorar a estimativa do risco da traça-verde em várias regiões do país, em especial na região da Beira Interior-Sul, estudando a possibilidade do uso de armadilhas iscadas com feromona sexual na monitorização das populações de P. vitrealis. A escolha desta região justifica-se por ser a terceira maior produtora de azeite em Portugal (GPP, 2007), pelo incremento da cultura da oliveira nesta região e pelos ataques recentes da praga.

MATERIAL E MÉTODOS A fase experimental decorreu num olival localizado na Quinta do Galvão, na freguesia de Vale Formoso, junto a Belmonte, na região denominada Cova da Beira. O olival é constituído por árvores de porte pequeno e médio e está instalado com compasso de 5 m x 7 m, num vale orientado a NE/SW. As cultivares presentes são ‘Cobrançosa', ‘Galega Vulgar' e ‘Arbequina'. As árvores têm cerca de cinco anos; no entanto, ‘Galega Vulgar' está plantada em duas manchas, uma com cinco anos e outra com um ano. Utilizaram-se três formulações comerciais de feromona sexual de P. vitrealis: Russell (em quatro armadilhas de tipo funil tricolor); SEDQ, comercializadas pela empresa Biosani na altura do ensaio (em cinco armadilhas delta); e Suterra, comercializada pela empresa AT&F (em quatro armadilhas delta). As cinco armadilhas delta iscadas com feromona SEDQ foram dispostas: uma na ‘Arbequina'; uma em cada mancha da ‘Galega Vulgar'; e duas na ‘Cobrançosa', por ser esta a cultivar dominante, afastadas uma da outra cerca de 50 m. As armadilhas iscadas com feromona da Suterra e da Russell foram colocadas uma em cada cultivar. Todas as armadilhas foram colocadas a cerca de 1,0-1,5 m de altura do solo. As contagens das capturas foram efectuadas semanalmente: desde fins de Março até ao início de Novembro de 2010, para as armadilhas com feromona da SEDQ; e desde Setembro até ao início de Novembro, para as restantes. Os difusores foram substituídos com a periodicidade aconselhada pelas empresas fornecedoras.

A identificação das espécies de lepidóptero com maiores níveis de captura foi efectuada por observação da genitália, após preparação por diafanização com hidróxido de potássio a 10%, a quente.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Nas armadilhas com a formulação de feromona sexual das marcas Russell e Suterra apenas se verificou captura de uma morfoespécie de lepidóptero, morfologicamente semelhante a P. vitrealis (Fig._1A). Na genitália do macho deste lepidóptero (Fig._2), muito semelhante à descrita por Santorini e Vassilaina-Alexopoulou (1977), não se observaram algumas das estruturas descritas por este autor, talvez porque a preparação microscópica da genitália foi efectuada depois de permanência longa no cartão com cola ou porque a preparação não foi efectuada com a metodologia seguida por aqueles autores.

As capturas semanais de P. vitrealis variaram entre 0 e 4 indivíduos/armadilha/ semana ao longo dos períodos de observação. Na Fig._3 apresentam-se as capturas observadas nas armadilhas colocadas na parcela de ‘Cobrançosa'.

A traça-verde apresenta várias gerações por ano. Por depender muito da temperatura, os seus picos de voo variam de região para região; no entanto, analisando as curvas de voo provenientes das Estações de Aviso do SNAA, os meses de Junho, Agosto e Outubro revelam alguma tendência para maiores capturas em quase todas as regiões estudadas (Mateus, 2011).

Embora o número de rebentos atacados tivesse sido elevado (média de 90,9 a 189,5 de rebentos atacados/400 rebentos, em função da cultivar) (Mateus et al., 2012), a eficácia de captura destas formulações foi, aparentemente, reduzida, dadas as capturas baixas obtidas.

A armadilha do tipo delta, com feromona sexual da marca Suterra, registou capturas, embora baixas, em Outubro, o que não aconteceu nas outras armadilhas, pelo que esta formulação poderá ter maior potencial para ser utilizada futuramente.

Nas armadilhas iscadas com feromona SEDQ, surgiram, além de indivíduos de P.

vitrealis, exemplares de uma espécie de lepidóptero contaminante (Fig._1B), em elevado número quando comparado com o número de indivíduos capturados de traça- verde (Fig._3). Esta espécie apresenta menores dimensões e coloração acastanhada. Foi efectuada pesquisa, na base de dados Pherobase (El-Sayed, 2011) de espécies cuja feromona incluísse os componentes principais da feromona sexual de P. vitrealis ((E)-11-hexadecen-1-il-acetato [(E)-11-16:Ac] e (E)-11- hexadecenal [(E)-11-16: Aid], na proporção 7:3) (Mazomenos et al., 1994), mas nenhuma das espécies referidas nesta base é morfologicamente semelhante à espécie contaminante. A observação da genitália (Fig._4) também não permitiu, por ora, a sua identificação específica.

A comparação entre níveis de capturas obtidas em armadilhas de feromona sexual pelas Estações de Aviso de Castelo Branco (Fig._5), do Ribatejo e do Baixo Alentejo do Serviço Nacional de Avisos Agrícolas, usando metodologia semelhante, revela capturas, por vezes, bastante mais elevadas do que as obtidas neste trabalho (Fig._3), o que levanta a hipótese de, também, em algumas destas regiões, poder ocorrer capturas do lepidóptero contaminante.

CONCLUSÕES As formulações testadas foram eficazes na captura de traça-verde. Contudo, uma delas, SEDQ, capturou, além de traça-verde, um outro lepidóptero, contaminante.

O número elevado de capturas deste lepidóptero obtidas nas armadilhas iscadas com esta feromona pode conduzir a erros, por excesso, na estimativa do risco quando os técnicos e/ou agricultores estejam menos familiarizados com a morfologia de traça-verde.


transferir texto