Caso dermatológico
Um latente do sexo masculino, com cinco meses de idade foi referenciado à
consulta de Dermatologia Pediátrica por erupção cutânea desde o primeiro mês de
vida. Sem antecedentes pessoais de relevo. A mãe e avó paterna referiam
prurido.
Ao exame objetivo observava-se erupção papular difusa na face, couro cabeludo,
tronco e membros com envolvimento das palmas e plantas (Figura_1). Havia alguns
nódulos eritematosos associados e múltiplas escoriações. As palmas e plantas
tinham vesículas e descamação marcada (Figura_2). A criança manifestava prurido
intenso. Foi realizado raspado de pele para exame microscópico, que foi
inconclusivo.
Qual o seu diagnóstico?
DIAGNÓSTICO
Escabiose
COMENTÁRIOS
A escabiose é uma dermatose ectoparasitária causada pelo ácaro Sarcoptes
scabieivar. hominis. O contágio ocorre de modo direto pessoa a pessoa ou, menos
frequentemente, por fômites, através da roupa ou lençóis. Em países de clima
temperado, como o nosso, a escabiose é mais comum no inverno devido a uma maior
propensão a aglomerados de pessoas e ao facto do ambiente frio e húmido
favorecer a sobrevida do parasita.1-4 O principal sintoma da escabiose é o
prurido, com agravamento noturno. Clinicamente são observadas pequenas pápulas
eritemato-escoriadas nas axilas, tronco, regiões glúteas, genitais, espaços
inter-digitais das mãos. Nos latentes e crianças pequenas as lesões podem ter
uma morfologia e distribuição diferente da criança mais velha e adulto. As
lesões são mais inflamatórias e podem ser vesiculares, bolhosas, pustulosas ou
em crosta atingindo frequentemente a face e couro cabeludo, habitualmente
poupados no adulto. Perante esta diversidade na apresentação, a escabiose deve
ser sempre suspeitada perante um latente/criança pequena com prurido intenso
associado a lesões polimórficas da pele.1,2 A ocorrência de casos semelhantes
entre indivíduos que compartilhem a mesma moradia é um indício forte da
doença.2-4
O diagnóstico diferencial faz-se, entre outros, com a dermatite seborreica,
dermatite atópica, ictiose e eritrodermia psoriásica.3,4
O tratamento consiste na aplicação tópica de enxofre precipitado a 5% em
vaselina 1x/dia, à noite, durante 3-5 dias. A permetrina a 5% é um tratamento
alternativo, em latentes >2 meses.
O banho com remoção do produto só deve ser efetuado 8-14h após cada aplicação.
O tratamento deve ser repetido novamente uma semana depois para diminuir o
risco de recorrências (10-20% casos). Sintomas como irritação cutânea, sensação
de queimor ou parestesias podem ocorrer. O agregado familiar e contactos
próximos devem fazer o tratamento em simultâneo. As roupas e lençóis da cama
usados devem ser lavados a 60º ou mantidos fechados num saco durante 72
horas.1,4,5