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EuPTCVHe0872-07542014000500010

EuPTCVHe0872-07542014000500010

variedadeEu
Country of publicationPT
colégioLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0872-0754
ano2014
Issue0005
Article number00010

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Sentimento de mulheres atendidas por graduandos de Medicina na realização do exame ginecológico em ambulatório de Ginecologia e Obstetrícia da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará

INTRODUÇÃO A Ginecologia e Obstetrícia exercem sua prática, apoiada em seus conhecimentos e experiências, num dos mais importantes períodos do ciclo vital: a vida reprodutiva (e pós-reprodutiva) feminina. Esta, além dos biológicos, envolve aspectos sociais, culturais e outros. É importante que saibamos valorizar a interconexão que existe entre o corpo, a mente, as emoções, os fatores sociais e o meio ambiente(1).

Como é de conhecimento geral, a Ginecologia e Obstetrícia exercem sua prática, apoiada em seus conhecimentos e experiências, num dos mais importantes períodos do ciclo vital: a vida reprodutiva (e pós-reprodutiva) feminina. Esta, além dos biológicos, envolve aspectos sociais, culturais e outros. É importante que saibamos valorizar a interconexão que existe entre o corpo, a mente, as emoções, os fatores sociais e o meio ambiente(2).

De uma forma geral exames ginecológicos apresentam uma série de dificuldades, como a resistência a sua realização e os danos físicos e psíquicos decorrentes da inexperiência do executor. Uma outra dificuldade está relacionado ao constrangimento da paciente principalmente em hospitais universitários, onde os exames são realizados às vistas de estudantes(3).

Desta forma, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o sentimento das mulheres atendidas por graduandos de medicina em um hospital de ensino credenciado junto ao ministério da educação de referência no estado do Pará, com particular atenção a área da saúde da mulher, afim de tomar conhecimento da realidade que as pacientes estão sujeitas durante suas consultas ginecológicas.

OBJETIVO Avaliar o sentimento livre e esclarecido das pacientes atendidas por graduandos de medicina no ambulatório de ginecologia e obstetrícia da Fundação Santa Casa de misericórdia do Para (FSCMP).

MÉTODO Todas as pacientes envolvidas nesta pesquisa foram estudadas segundo os preceitos da Declaração de Helsinque e do Código de Nuremberg, respeitadas as Normas de Pesquisas envolvendo Seres Humanos (Res. CNS 196/96) do Conselho Nacional de Saúde após, do Comitê de Ética em pesquisa da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMP) e pelas pessoas incluídas no trabalho por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

O estudo foi realizado nos meses de março a abril de 2013, com uma casuística de 110 mulheres consultadas por graduan- pelos autores com perguntas sobre a visão das pacientes acerca do atendimento concomitante dos graduandos de medicina juntamente com médico responsável, o esclarecimento e consentimento para a realização do exame ginecológico.

As entrevistas foram realizadas durante a espera das consultas no próprio hospital, em local escolhido pela entrevistada, que oferecesse condições de realiza-la de forma reservada, confortável, sigilosa e individual. Optando ou não pela presença do pesquisador para que lhes orientassem na leitura das perguntas do questionário.

Foram incluídas no estudo mulheres atendidas pelo serviço de ginecologia e obstetrícia da FSCMP, que tenham sido consultadas alguma vez por graduandos de medicina junto ao médico preceptor naquele local, que estivessem de acordo com a sua participação na pesquisa e tivessem assinado o TCLE, as pacientes menores de idade também tiveram o aceite do responsável legal que as acompanhava. Foram excluídas do estudo mulheres que não se encontrarem dentro das condições anteriormente descritas, as que preencherem o protocolo de forma incompleta bem como as que não estiveram de acordo em participar.

Após a obtenção dos dados coletados o resultado foi rigorosamente avaliado, tabelado e confeccionados gráficos para o seu melhor entendimento, com o auxílio do programa Excel® 2007 e BIOESTAT® 5.0. Foram utilizados os testes binomial e Kolmogorov Smirnov, sendo fixado p<0,05 para análise estatística.

RESULTADOS

DISCUSSÃO A despeito de toda tecnologia incorporada pela prática médica nas últimas décadas, o exame físico permanece como pedra angular do diagnóstico e da relação médico-paciente, e seu aprendizado é de suma importância na educação médica. Os exames ginecológicos são especialmente sensíveis tanto para os estudantes inexperientes quanto para a mulher que está sendo examinada, a inexperiência pode levar à insegurança, dificultando ao aluno inspirar confiança nas pacientes(4).

A maioria das mulheres deste estudo obtiveram esclarecimentos acerca do exame ginecológico a ser executado, conforme o proposto pelo Código de Ética Médica que configura como infrações da ética profissional: Art. 46. Efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente perigo de vida.

Apesar deste resultado, 42% das mulheres não receberam esclarecimento acerca do exame a ser realizado. A não elucidação ao sujeito examinado quanto ao que esta sendo feito dificulta o estabelecimento de uma adequada relação médico- paciente. Os médicos preceptores da instituição em estudo precisam estar atentos e conscientes de tal infração diante dos graduandos de medicina.

Durante a realização do exame ginecológico, 45% das mulheres sentiram dor ou desconforto, o que concorda com estudo realizado por Barbeiro et al. (2009)(5), com estudantes de uma escola pública em Niterói, que indica o desconforto do exame como um dos principais problemas relatados pelas mulheres. Essa sensação pode estar diretamente ligada ao pudor, pois exame ginecológico sob uma situação de tensão pode levar a contração da musculatura pélvica e dos membros inferiores, gerando um momento desagradável e doloroso.

Das pacientes que se queixaram de dor e desconforto, a maioria delas alegou que o executor do exame prosseguiu em sua realização e não valorizou a queixa. A prática da medicina pressupõe respeito a valores e ao indivíduo em todos os seus aspectos, o que não se evidenciou no presente estudo, negligenciando o papel ético frente ao sofrimento e a dor.

Nos últimos anos, produziu-se uma separação cada vez mais acentuada entre a ética prescrita pelos códigos e aquela que é efetivamente praticada(6). As pacientes que são atendidas pelos estudantes frequentemente não sabem que estes não são médicos formados, e por não terem supervisão adequada podem provocar danos aos pacientes.

Com relação à sensação referida pelas mulheres após o exame a maioria apontou vergonha como o principal sentimento. Concordando com o trabalho de Brito, Nery e Torres (2007) (7), que indicou a vergonha como o principal sentimento durante um exame ginecológico. A mulher percebe-se fragmentada: de um lado, utiliza-se da vergonha como forma de se proteger da exposição no exame e, por outro, reconhece a inevitabilidade dele(8).

A maioria das pacientes entende a necessidade de ser examinada, dentre as razões principais, a existência de inúmeras campanhas de saúde que alertam para a prevenção e rastreamento das principais doenças da mulher que hoje são veiculadas pelos meios de comunicação. No entanto, ainda assim se mostram envergonhadas tendo em vista os valores socioculturais que são atribuídos ao componente físico de atuação da ginecologia, que se configuram como uma violação da intimidade e agressão ao seu pudor, que são agravadas em um exame realizado por graduandos de medicina.

As mulheres da pesquisa em sua maioria referem que o sentimento após o exame teria sido melhor ou indiferente caso houvesse um esclarecimento adequado quanto aos seus aspectos gerais. Duavy e col (2007)(9) em um estudo de caso de mulheres acerca da percepção do exame preventivo de colo uterino relata que no universo assistencial carência de programas educativos, voltados à população em geral. A falta de informação desencadeia diversos sentimentos nas mulheres, o que pode fazê-las se sentirem constrangidas à realização do exame, independentemente da idade ou do nível de instrução.

As mulheres da presente pesquisa apontaram a vergonha como o principal sentimento observado durante exame realizado por graduandos do sexo masculino, o que corrobora com estudo de Ferreira e Oliveira (2006)(10) realizado com 81 mulheres em Botucatu.

Este estudo relata que vergonha prevalece quando o profissional que está realizando o exame é do sexo masculino. Uma prática mais humanizada, desenvolvendo a capacidade de integração, agindo não com preparo técnico, mas também com intuição e sensibilidade certamente contribuirá para criar um ambiente de empatia e segurança entre pacientes e acadêmicos do sexo masculino.

CONCLUSÃO Conclui-se que a maioria das mulheres das pesquisadas apresentou esclarecimento prévio sobre o exame ginecológico, referindo ausência de dor com a maioria dos graduandos seguindo a realização do exame sem valorizar a queixa da paciente.

A maioria das pesquisadas referiu vergonha após o exame, com sentimento melhor ou indiferente caso recebessem esclarecimento prévio. O sentimento ao observar o acadêmico do sexo masculino realizar o exame foi de vergonha pela maioria.


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