Alimentação complementar do latente: adaptação e avaliação de tecnologia de
apoio para pais cegos portugueses
Introdução
Transitar da amamentação exclusiva para a introdução de alimentação
complementar ao lactente é uma fase que preocupa os pais e, estes procuram
informações com amigos e familiares, em livros, páginas da internet dentre
outras fontes (Ministério da Saúde, 2010; Silva, Venancio, & Marchioni,
2010).
Pais cegos apresentam dificuldades para cuidar dos seus filhos, especialmente
quando pequenos, no âmbito da preparação de medicamentos, realização da higiene
corporal e oferta dos alimentos, principalmente na fase da introdução de novos
alimentos. Estudos realizados com mães e pais cegos do nordeste do Brasil
evidenciaram que a oferta de novos alimentos ao filho aos seis meses,
constituiu um momento de ansiedade, pois os pais reconheceram que não possuíam
as competências necessárias para a preparação e introdução dos novos alimentos
(Pagliuca, Uchôa, & Machado, 2009).
Ao considerar-se a assistência em Enfermagem à pessoa cega, temos como uma das
suas ferramentas a Tecnologia de Apoio (TA), também denominada tecnologia
assistiva. Trata-se de uma estratégia adaptativa e material que pretende
promover independência, autonomia e inclusão das pessoas com deficiência em
todas as fases do ciclo vital (Hersh, 2010).
Face a estas dificuldades e atendendo às múltiplas estratégias de promoção da
saúde que os enfermeiros podem utilizar, desenvolveu-se uma tecnologia de
apoio, de acesso à distância, para fornecer informações acerca dos cuidados com
a alimentação complementar do lactente. A tecnologia, denominada Cuidando da
alimentação do bebé, é composta por textos dialogais e um espaço no qual os
pais cegos podem esclarecer as suas dúvidas. Esta tecnologia está descrita no
site http://www.labcomsaude.ufc.br, do grupo de pesquisa do Laboratório de
Comunicação em Saúde do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do
Ceará-Brasil.
Após a sua construção, esta tecnologia foi avaliada por nove especialistas
brasileiros (sendo três de cada uma das áreas: Saúde da Criança, Educação de
Pessoas Cegas e Informática Acessível) e por um grupo de dez pais cegos
brasileiros. Ambos os grupos afirmaram que a tecnologia estava adequada para a
promoção da saúde e orientação dos pais cegos sobre a introdução de novos
alimentos aos seus filhos, sugerindo uma difusão ampla desta estratégia
(Cezario, Oliveira, Abreu, & Pagliuca, 2012).
Deste modo, o presente estudo tem como objetivos descrever a adaptação cultural
do conteúdo à população portuguesa e avaliar a estrutura e apresentação da
tecnologia de apoio Cuidando da alimentação do bebé.
Enquadramento
A Tecnologia de Apoio ou assistiva (TA) é uma estratégia viável à promoção da
saúde da pessoa cega. A TA ao considerar o ser humano como um todo, não se
restringe a compensar uma falta, mas possibilita o desempenho de tarefas
associadas às atividades de vida diária. Para atender as pessoas com
deficiência de maneira integral, os materiais e serviços de TA devem ser
preparados por profissionais de diversificadas áreas, engenheiros, arquitetos,
programadores, terapeutas ocupacionais e, enfermeiros (Sartoretto & Bersch,
2014).
No caso dos pais cegos, verifica-se muitas vezes que a sua rede social é
constituída por pais, irmãos, amigos e vizinhos, com dificuldade em fornecer
informações sobre os cuidados de saúde ao lactente. Este fato pode dever-se à
falta de experiência em comunicar-se com uma pessoa com deficiência ou as
informações prestadas não considerarem as características da pessoa cega
(Nóbrega, Andrade, Pontes, Bosi, & Machado, 2012).
Destaca-se ainda o fato de, na maioria das vezes, os profissionais de saúde não
conseguirem estabelecer uma comunicação eficaz com as pessoas com deficiência
sensorial, já que muitos não possuem formação adequada (Pagliuca et al., 2009).
Dado que os pais cegos devem cuidar das suas crianças de maneira autónoma e
segura, é necessário desenvolver mecanismos que os apoiem. Neste contexto, os
profissionais em Enfermagem devem estabelecer parcerias e diversificar as suas
estratégias de intervenção, com vista à promoção da saúde. Entre as
possibilidades de ação intersetorial, está o uso do acesso à distância, mediado
pela internet, para o fornecimento de informações sobre temas relacionados com
a saúde (Carvalho, Silva, & Pagliuca, 2013).
O uso do computador como ferramenta de assistência em Enfermagem tem vindo a
expandir-se. Constata-se que a utilização do computador possui diversas
vantagens, tais como o acesso à informação, o aumento da possibilidade de
comunicação e a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Questões de investigação
Investigou-se qual a perceção dos enfermeiros e pais cegos portugueses sobre a
adaptação de uma Tecnologia de Apoio sobre alimentação complementar disponível
por meio do acesso online?
Metodologia
Trata-se de um estudo metodológico, cujo objetivo é o desenvolvimento,
avaliação e aperfeiçoamento de instrumentos e de estratégias metodológicas em
Enfermagem (Polit & Beck, 2011). Este estudo desenvolveu-se em três etapas:
adaptação cultural do conteúdo à população portuguesa; análise do conteúdo por
enfermeiras e por pais cegos e; avaliação da estrutura e apresentação da
tecnologia pelas especialistas e por pais cegos portugueses, que ocorreu no
período de março a junho de 2012, na cidade do Porto. Em seguida estas etapas
são descritas com detalhes.
Na primeira etapa do estudo, realizou-se uma ampla procura de artigos
científicos em bases de dados, revistas, livros, manuais e sites da internet
portugueses especializados no tema. Diferentemente do que ocorre no Brasil, não
há uma orientação específica sobre alimentação complementar para esta faixa
etária na página do Ministério da Saúde de Portugal. Ao texto foram
incorporadas expressões culturais e alimentos específicos da culinária
portuguesa para esta faixa etária. Para consolidar esta etapa foram convidadas
três enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica, que desenvolvem
atividade profissional na área académica ou na prática clínica para, em grupo,
consolidar o conteúdo do texto.
Na segunda fase, participaram da pesquisa três enfermeiras especialistas em
Saúde Infantil e Pediátrica convidadas a avaliar o material adaptado. Receberam
cópia do conteúdo adaptado e instrumento de avaliação, com 24 questões
relativas aos objetivos, estrutura e apresentação e, relevância da tecnologia
de apoio, além de um espaço para realizarem críticas, sugestões e elogios. Cada
item do instrumento foi avaliado através de uma escala tipo Likert, com cinco
pontos, correspondendo o um à menor nota e cinco à maior. A partir destas
informações, realizaram-se modificações no conteúdo da tecnologia e inseriu-se
esta no site.
Na terceira e última etapa participaram pais cegos, com idade a partir dos 18
anos. Para a avaliação da tecnologia por pais cegos, constatou-se a direção de
uma associação de cegos e amblíopes portugueses, que permitiu a presença da
pesquisadora nas suas instalações para convidar os referidos pais a colaborarem
no estudo. A pesquisa foi divulgada em três listas virtuais de pessoas cegas
portuguesas, visando recrutar mais participantes.
Os participantes foram orientados a acederem ao referido site da internet, a
apreciar a tecnologia de apoio online e avaliá-la, através do instrumento
também disponibilizado virtualmente. No caso dos pais que apresentavam
dificuldade em manusear o computador, a pesquisadora agendou encontros na
referida associação ou na residência destes para os ajudar neste processo de
avaliação.
O instrumento de avaliação dos pais cegos possuía 23 itens relacionados com o
conteúdo, com educação especial e a acessibilidade virtual. Tal como o
instrumento das especialistas, os itens foram avaliados através de uma escala
tipo Likert.
Consideraram-se adequados os itens que receberam notas quatro e cinco de pelo
menos dois avaliadores. No caso dos itens com notas inferiores ou ausência de
acordo entre os avaliadores realizou-se ajustes no texto e foi solicitada nova
avaliação. As sugestões dadas foram comparadas e acatadas ou não, de acordo com
a literatura.
Os dados foram analisados de maneira descritiva o que, segundo Polit e Beck
(2011) permite organizar, fornecer estrutura e extrair significado dos dados.
Envolve, tipicamente, quatro tipos de processos intelectuais: compreensão,
síntese, teoria e recontextualização.
Em relação aos aspetos éticos, foi respeitado o preconizado para as pesquisas
com seres humanos estipuladas pela Declaração de Helsinquia.
Resultados
Em relação à bibliografia produzida em Portugal sobre a introdução dos novos
alimentos, verificou-se que a mesma era escassa. Deste modo, da pouca
literatura encontrada e das entrevistas realizadas aos profissionais,
resultaram as seguintes mudanças na tecnologia: introdução primeiramente de
papa de farinha com ou sem glúten, de acordo com a idade do lactente; pouca
ênfase na oferta de água; desencorajar a oferta de sumos; uso apenas do azeite
na preparação dos alimentos salgados; incentivo à introdução de iogurtes entre
o oitavo e o nono mês de vida; introdução da gema de ovo entre o nono e décimo
mês de vida; dieta familiar a partir do décimo segundo mês de vida; introdução
de carne vermelha e miúdos aos 12 meses; incentivo à conservação e
armazenamento de alimentos para refeições posteriores.
Apontaram ainda os alimentos culturalmente utilizados em Portugal, tais como: o
peru, o borrego, o coelho e o linguado, em relação às carnes e peixes;
brócolos, couve-galega, alho francês, concernentes às hortaliças; courgettes,
em relação aos frutos, e o uso de farinhas lácteas e não lácteas como primeiro
alimento a ser oferecido ao lactente.
Após a incorporação das práticas alimentares e alimentos típicos portugueses, o
conteúdo da tecnologia foi traduzido para o português escrito em Portugal,
passando a TA a ser denominada Cuidando da alimentação do bebé. Posteriormente,
o conteúdo foi submetido à apreciação das enfermeiras especialistas em Saúde
Infantil e Pediátrica.
Na Tabela_1 apresentam-se as avaliações em relação ao conteúdo da tecnologia:
notas e o número de enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica a
atribuí-las.
Observa-se que não existiu acordo ou obtiveram nota abaixo de quatro os itens
Aspetos relevantes sobre o aleitamento materno, Modo correto de preparação dos
alimentos complementares e Diluição correta das fórmulas infantis.
Além disso, as enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica
apresentaram as seguintes sugestões: inclusão de uma linguagem mais formal,
evitando determinados vocativos e expressões coloquiais; inclusão da prática de
oferta de alimentos posicionando o lactente em cadeira específica para este
fim; acréscimo de considerações sobre o congelamento de alimentos para uso em
refeições subsequentes e maior clarificação quanto à diluição do leite
artificial; mudança e inserção de alimentos relativos ao universo cultural
português. Destas sugestões, a única não acatada foi a inclusão de linguagem
formal por a tecnologia ser voltada a um público leigo.
Considerou-se também o conteúdo acessível para pessoas cegas por possuir
informação com frases curtas e indicações precisas, considerando-a inovadora e
criativa podendo ser aplicada a todas as pessoas com esta necessidade.
Consideraram também o texto da tecnologia objetivo, claro e bastante completo.
Pelo fato de existirem itens cuja avaliação foi considerada negativa ou não,
houve acordo entre as especialistas, solicitou-se uma nova avaliação dos mesmos
após a realização dos ajustes sugeridos e considerados pertinentes.
Após os ajustes, o item referente à abordagem do aleitamento materno recebeu
nota quatro de duas enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica; e
os demais itens, preparação e oferta de novos alimentos e diluição correta de
fórmula infantil, receberam notas quatro e cinco de duas avaliadoras. Sendo
assim, os itens relativos ao conteúdo foram considerados válidos.
Na Tabela_2 apresentam-se os aspetos relativos à estrutura/apresentação e
relevância da tecnologia. Observa-se que estas duas partes obtiveram notas
quatro e cinco em todos os itens por pelo menos duas especialistas.
Concluída a etapa de avaliação por enfermeiras especialistas em Saúde Infantil
e Pediátrica e realizadas as alterações no conteúdo da tecnologia de apoio,
esta foi inserida na página do Laboratório de Comunicação em Saúde da
Universidade Federal do Ceará-Brasil. Deste modo, após a divulgação, os pais
cegos iniciaram o processo de apreciação e avaliação da TA.
Em relação à avaliação da primeira parte do instrumento, conteúdo da tecnologia
de apoio, todos os itens receberam notas quatro e cinco pela maior parte dos
participantes (Tabela_3).
Participaram do estudo um total de 10 pais cegos, sendo oito mulheres e dois
homens. A faixa etária variou entre os 30 e os 68 anos, com quatro
participantes tendo idade entre os 50 e 59 anos. Entre as causas de cegueira,
apenas um afirmou ter nascido com deficiência. Quanto ao estado civil, cinco
são casados, dois solteiros, dois viúvos e um não respondeu. Quanto ao grau de
escolaridade, quatro estudaram até ao primeiro ciclo, dois realizaram o
terceiro ciclo, três o ensino secundário e um não respondeu. Em relação ao
rendimento familiar, este variou entre os 530 e os 1600 euros, sendo que quatro
pais optaram por não informar sobre este aspeto. Quanto à profissão, cinco são
reformados, um assistente operacional, um telefonista, um estagiário, um está
desempregado e outro não respondeu.
Quanto aos aspetos pedagógicos e ao acesso à distancia por pessoas com
deficiência visual, os respetivos itens também foram avaliados como adequados
pela maior parte dos participantes (Tabela_4).
Discussão
A introdução de novos alimentos na dieta do lactente é muitas vezes vivenciada
pelos pais com ansiedade o que dificulta a situação. A transição do aleitamento
materno para a introdução de fórmulas e alimentos processados deve ser
discutida entre profissionais da saúde e os pais (Brasil et al., 2012). É
natural que pais que nunca cuidaram de crianças necessitem de ajuda de
familiares, profissionais de saúde, livros e meios de comunicação para
esclarecer as suas dúvidas (Avery & Magnus, 2011).
A adaptação da tecnologia de apoio à população portuguesa foi relevante para
que os pais cegos deste país também tivessem acesso a esta TA (Cezario et al.,
2012). Sabe-se que a utilização de alimentos regionais, adequados à realidade
cultural de dada população, é essencial para o desenvolvimento da criança,
através de seu aproveitamento nutricional. Para isto é essencial arrolar
conhecimentos das mães sobre alimentos infantis para, então, intervir de forma
a ofertar alimentação saudável respeitando os valores familiares (Gamarra
Atero, Porroa Jacobo, & Quintana Salinas, 2010; Campagnolo et al., 2012).
As principais diferenças identificadas entre as práticas portuguesas e
brasileiras foram: no Brasil o primeiro novo alimento a ser introduzido à dieta
da criança não desmamada é a papa de frutas; e, simultaneamente, a água várias
vezes ao dia, conforme a idade da criança; a oferta de sumos, especialmente de
frutas ricas em vitamina C, após as papas; o uso de diversos temperos suaves na
preparação das papas atendendo a preferência familiar; a introdução de iogurtes
deve ser evitada antes dos doze meses de vida; a adoção da dieta familiar entre
os oito e dez meses de vida; introdução gradual de carne de boi e miúdos entre
o sexto e sétimo mês; e desencorajamento da conservação de refeições
subsequentes (Ministério da Saúde, 2010; Silva et al., 2010).
Após a adaptação cultural da tecnologia de apoio, foi essencial a sua avaliação
por especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica a desenvolver a sua prática
profissional em contexto clínico. Além da avaliação realizada pelos
especialistas, reconhece-se que é importante conhecer a perceção dos utentes
sobre a tecnologia. No processo de avaliação de instrumentos e tecnologias
deve-se questionar a opinião de representantes da população estudada com vista
a aperfeiçoar as suas características para uma dada especificidade (Pasquali,
2010).
Ressaltam-se, no contexto do perfil dos portugueses que avaliaram a tecnologia,
algumas semelhanças em relação aos brasileiros avaliadores da primeira versão
do material. Uma característica significativa dos pais cegos portugueses foi o
fato de, embora tenha havido uma divulgação indistinta, a maioria dos
participantes serem mulheres.
Ocorreram também algumas diferenças, pois, no Brasil, o nível de escolaridade
da maior parte dos avaliadores situou-se no Ensino Médio e, no caso de
Portugal, a escolaridade dos participantes situou-se no primeiro ciclo. Quanto
ao rendimento familiar e ocupação, os brasileiros recebiam cerca de um salário
mínimo (230 euros) e eram prestadores de serviços, enquanto que os portugueses
recebiam em torno de um salário mínimo e sua maioria reformado por invalidez.
Além disso, quanto ao estado civil em ambos os casos, a maioria dos pais eram
casados. Finalmente, a faixa etária dos portugueses foi mais elevada que a dos
brasileiros.
Além destes aspetos, a avaliação propriamente dita da tecnologia foi bastante
similar entre os pais de ambos os países. A maior parte dos avaliadores
atribuiu notas quatro e cinco a todos os itens referentes à TA, demonstrando
que esta é uma estratégia de promoção da saúde para este público (Cezario et
al., 2012). A Enfermagem deve valer-se de diversificadas tecnologias para
oferecer educação em saúde condizente com as necessidades da população
(Nietsche et al., 2012).
Tecnologia de apoio para a pessoa com deficiência visual deve considerar suas
peculiaridades de comunicação verbal e não verbal, para tal deve-se descrever
objetos concretos verbalmente para que construam a abstração mental e, sempre
que possível associar com objetos a serem tateados (Rebouças et al., 2012;
Barbosa et al., 2011). Nesta linha, a descrição dos alimentos antes e após o
preparo permite que pessoas cegas visualizem mentalmente o que estão a oferecer
ao seu filho.
As pessoas cegas, foco do presente estudo, possuem diversas possibilidades de
acesso à internet, contando com inúmeras estratégias para utilizar computadores
da mesma forma que uma pessoa normovisual. Contactar novas culturas, aprofundar
e acompanhar os estudos, realizar atividades de trabalho, conhecer novas
pessoas, entre outras possibilidades, fazem parte da gama de novas perspetivas
que este acesso permite aos cegos, sendo, por isso, um meio de promoção da
inclusão.
Conclusão
A procura de material em bases de dados, revistas, livros, manuais e sites da
internet portugueses, especializados sobre o tema alimentação do bebé, teve um
resultado pouco expressivo, evidenciando que não há uma orientação específica
sobre alimentação complementar para esta faixa etária. Neste cenário, para a
adaptação cultural do conteúdo da TA ao contexto de Portugal foi de extrema
valia a contribuição de enfermeiros da prática clínica e académica, o que
permitiu incorporar expressões culturais e alimentos específicos da culinária
portuguesa para esta faixa etária.
Para serem considerados validados foi necessário que no mínimo, dois
avaliadores atribuíssem nota quatro ou cinco a cada um dos itens avaliados. O
conteúdo adaptado foi avaliado por enfermeiros e pessoas cegas quanto aos
objetivos, estrutura, apresentação e, relevância da tecnologia de apoio.
Destaca-se que o conteúdo, na sua descrição, contempla características
específicas da comunicação com a pessoa cega. Pais cegos consideraram o
conteúdo importante, reflexivo, motiva o diálogo, aborda aspetos variados da
alimentação do bebé, esclarece dúvidas, aborda aspetos chaves com novos
conhecimentos em que tinham dúvidas.
A tecnologia de apoio, quanto à sua estrutura e apresentação, foi
disponibilizada no formato online. Neste, foi avaliada pelos enfermeiros
especialistas que a consideraram apropriada para pais e mães; que as
informações estão corretas, claras, em tamanho adequado; sequência lógica,
aborda tópicos específicos da alimentação complementar da criança, linguagem
adequada ao público leigo e incentiva a reflexão sobre o tema. Os pais cegos
consideraram a tecnologia interessante para a pessoa cega, incentiva
independência, mudança de atitude, tempo adequado, sequência lógica, tom
amigável, acesso prático e fácil, favorece privacidade, autonomia e promove
saúde.