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EuPTCVHe0872-81782012000300014

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variedadeEu
ano2012
fonteScielo

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Lipomatose gastroduodenal Lipomatose gastroduodenal

Gastroduodenal lipomatosis

Ana Catarina Lagos∗, Inês Marques e Beatriz Neves Serviço de Gastrenterologia II, Hospital Pulido Valente (CHLN), Lisboa, Portugal *Autor para correspondência

Caso clínico Os autores apresentam o caso de um doente de 59 anos com antecedentes de obesidade, dislipidémia e diabetes mellitus não insulino-tratada que foi referenciado à Consulta de Gastrenterologia por apresentar na endoscopia digestiva alta, realizada no contexto de investigação de dispepsia, várias formações polipóides sésseis do corpo gástrico e bulbo duodenal com dimensões entre os 5 a 12mm, revestidas por mucosa normal, de cor amarelada e com o «cushion sign» positivo (figs. 1 e 2). Foram realizadas várias biopsias destas lesões que demonstraram mucosa gástrica sem particularidades histológicas.

Analiticamente não se registavam alterações. Realizou ecoendoscopia, que revelou que as formações polipóides sésseis correspondiam a lesões arredondadas da submucosa hiperecogénicas, confinadas à parede, sem adenopatias adjacentes, aspeto ecoendoscópico compatível com lipomas (fig. 3). Completou o estudo com tomografia computorizada torácica e abdominal que identificou várias lesões arredondadas da parede gástrica e bulbo duodenal com densidade de gordura, compatíveis com o diagnóstico de lipomas, estabelecido pela ecoendoscopia (fig. 4). A endoscopia alta de revisão ao fim de um ano demonstrava as lesões descritas anteriormente, sem expressão evolutiva.

Figura 1Várias formações polipóides sésseis do corpo gástrico com dimensões entre os 5 a 10mm revestidas por mucosa normal.

Figura 2Formações polipóides sésseis do bulbo duodenal com dimensões entre os 5 e 12mm revestidas por mucosa normal.

Figura 3Lesão arredondada da submucosa hiperecogénica, confinadas à parede, sugestiva de lipoma.

Figura 4Várias lesões arredondadas da parede gástrica e bulbo duodenal com densidade de gordura.

Os lipomas gástricos/intestinais são tumores benignos da submucosa pouco frequentes, correspondendo a menos de 2% das lesões submucosas e raramente têm manifestações clínicas1. A sua apresentação na forma de lipomatose difusa, com mais de 10 lipomas e eventual envolvimento do intestino delgado e cólon é extremamente rara. A endoscopia digestiva alta pode sugerir o diagnóstico, pois os lipomas apresentam-se como lesões polipoides revestidas de mucosa normal, de consistência mole e de cor amarelada, podendo também estar presente o «tenting sign» e o «cushion sign»2. O primeiro consiste em tracionar a mucosa que recobre o lipoma, verificando que esta se destaca facilmente, tal como se verifica nas outras lesões submucosas. O segundo sinal consiste em tocar com uma pinça de biopsia no lipoma, verificando que este se deprime facilmente e retoma rapidamente à sua forma inicial. As biopsias geralmente são inconclusivas, dado localização submucosa dos lipomas. No entanto, é a ecoendoscopia ou tomografia computorizada que permitem alcançar o diagnóstico definitivo. Os lipomas na ecoendoscopia apresentam-se como lesões intensamente hiperecogénica confinadas à 3.a camada. Na tomografia computorizada, os lipomas surgem como lesões com densidade negativa.

Devido à sua natureza benigna e ausência de manifestações clínicas (70% dos casos), não têm habitualmente indicação terapêutica nem obrigam a seguimento ou vigilância3. Os casos sintomáticos geralmente apresentam-se com dor abdominal e, menos frequentemente, hemorragia. Nestes casos, a terapêutica endoscópica poderá ter lugar, nomeadamente a hemóstase e a polipectomia. A polipectomia endoscópica, apesar das suas possíveis complicações, nomeadamente perfuração e hemorragia4, tem sido uma alternativa cada vez mais segura, como se constata em vários estudos publicados na literatura4,5. Um relato recente demonstra o papel da enteroscopia de duplo balão na resolução endoscópica de um caso de intussusceção intestinal por lipomatose do jejuno6.


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