Cobertura de polietileno para manutenção da temperatura corporal do recém-
nascido
Introdução
Quando nasce prematuramente, o recém-nascido (RN) perde semanas de estimulação
no útero materno e os distúrbios da termorregulação podem ser considerados uma
das principais condições de risco trazidas por esta prematuridade. Estes,
devido sua capacidade limitada de auto-proteção no sistema termorregulador
podem, facilmente, perder o calor e a temperatura do corpo, e sucumbir às
consequências fisiológicas graves de hipotermia. A qual, juntamente com a
imaturidade do sistema imunológico pode favorecer o aumento da mortalidade e
morbidade neonatal nos RN (Ringer, 2013).
A taxa de mortalidade neonatal (óbitos entre 0 a 27 dias de vida), ao contrário
da mortalidade pós-neonatal relacionada, principalmente, a fatores
socioeconómicos e ambientais está associada tanto a fatores biológicos, quanto
ao acesso e à qualidade da prestação de cuidados no pré-natal, ao parto e ao
recém-nascido (Pereira, 2007). No Brasil, em 2010, registou-se 19,2% de óbitos
neonatais entre recém-nascidos de baixo peso ao nascer, ou seja, entre 1500g a
2500g (Ministério da Saúde, 2012). Esta elevada taxa representa a necessidade
de maior atenção e adequação dos cuidados imediatos a esses recém-nascidos de
alto risco.
Diante deste contexto, torna-se fundamental os primeiros cuidados direcionados
à manutenção da temperatura do Recém Nascido Prematuro (RNPT), em especial, a
adequação do ambiente externo para reduzir perda de calor por evaporação,
condução, conveção e radiação, realização de secagem completa e,
principalmente, manutenção do ambiente termoneutro durante o transporte para a
Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) (Sobel, Silvestre, Mantaring,
Olivero, & Nyunt, 2011).
Em decorrência dessa prematuridade, os cuidados e intervenções de enfermagem
nas unidades neonatais, direcionam-se aos problemas relacionados com a
maturação fisiológica.
Dos quais destaca-se o sistema termorregulador, em que a termorregulação é tida
como uma função crítica para a sobrevivência do RN, regulamentada no hipotálamo
e mediado por vias endócrinas. A hipotermia ativa o metabolismo celular através
de tremores e termogénese sem calafrios. Em recém-nascidos, as faixas de
temperatura ideais são estreitas e os mecanismos de termorregulação pouco
estáveis, particularmente em recém-nascidos prematuros e de baixo peso de
nascimento. A falta de proteção térmica leva rapidamente à hipotermia, que está
associada a processos metabólicos prejudiciais e outros fisiopatológicos.
Estratégias de proteção térmica simples são viáveis nos níveis comunitário e
institucionais em ambientes de recursos limitados. Intervenções apropriadas
incluem cuidados com a pele-a-pele, amamentação e vestuário de protecção ou
dispositivos para manutenção da temperatura corporal (Lunze & Hamer, 2012).
Um estudo realizado por Magalhães et al. (2010) com 26 RNPT, constatou que a
incidência de manuseamento para cuidados de rotinas durante o período de 24
horas variou de 52 a 79, sendo a maioria realizada pela equipa de Enfermagem. O
que retrata um manuseamento excessivo, o qual também pode dificultar a
estabilidade da temperatura corporal devido stresse decorrente do frio,
alterações dos sinais vitais, alteração comportamental e até risco de
alterações fisiológicas como a hemorragia intracraniana.
A fim de favorecer a manutenção da temperatura corporal de recém-nascidos
prematuros em UTIN, um estudo realizado por Rolim et al. (2010), avaliou os
efeitos da cobertura de plástico de polietileno junto ao RN após o nascimento,
como um dispositivo para este cuidado ao RN de risco. Constatou-se que com essa
cobertura, envolvendo todo o RN, exceto a cabeça, a temperatura retal avaliada
por meio de um termómetro digital antes e uma hora após o uso, teve aumento de
1,54ºC. Não ocorrendo nenhum efeito adverso como: hipertermia, infeção ou
maceração da pele pelo seu uso.
A partir de tais constatações, torna-se evidente a relevância da manutenção da
termorregulação do RNPT como constante preocupação da equipa de Enfermagem
atuante na UTIN, em especial com cuidados direcionados para a prevenção e a
gestão de hipotermia. Estas podem contribuir para melhorar o aumento de
sobrevida neonatal em contextos de recursos limitados, além de incluir as
famílias na prestação de proteção térmica do RN e treinamento dos profissionais
da equipa multidisciplinar de saúde para utilização de práticas de proteção da
temperatura corporal do RNPT nas unidades neonatais (Lunze, et al., 2014).
Questões de investigação
Destacamos a importância de pesquisas baseadas em evidências de modo a utilizar
novas tecnologias como a cobertura de polietileno na contribuição para a
melhoria da qualidade de vida e sobrevida dos prematuros.
No se que se refere às questões norteadoras pode destacar- se: qual a eficácia
da cobertura de polietileno para a manutenção da temperatura corporal do RNPT?
Quais os benefícios dessa cobertura como recurso para a termorreguação? Como
são os cuidados de Enfermagem prestados a este recém-nascido quanto à
manutenção da temperatura corporal?
Portanto, o presente estudo teve como objetivo: verificar a eficácia da
cobertura de polietileno para a manutenção da temperatura corporal do RNPT,
avaliar os benefícios dessa cobertura e, descrever os cuidados de Enfermagem
prestados a este neonato quanto à manutenção da temperatura corporal.
Metodologia
Estudo descritivo e transversal realizado no período de julho a setembro de
2011. A seleção dos sujeitos foi feita por conveniência, entre os RNPT da sala
de neonatologia localizada no Centro Obstétrico (CO) e na UTIN na cidade de
Fortaleza-Ceará, Brasil, englobando o momento do transporte do RN com risco
iminente de vida do CO até a sua chegada à UTIN.
A amostra constituiu-se por dez RNPT com peso ≤ 1.500 gramas e idade
gestacional ≤ 32 semanas. Sendo excluídos aqueles que apresentaram qualquer
tipo de lesão de pele.
Para a colheita de dados utilizou-se um instrumento com variáveis explicativas,
independentes ou preditoras de identificação do RNPT, tais como: sexo, peso,
idade gestacional e temperatura corporal. Assim como: a identificação dos
procedimentos e intercorrências clínicas ou incidentes críticos junto ao RNPT
nas primeiras duas horas de vida, monitorização da sua temperatura antes e após
a aplicação da cobertura de polietileno com uso de um termómetro digital
individual.
Os RNPT do estudo foram cobertos com o saco de polietileno e foram acompanhados
durante o transporte do CO até sua chegada à UTIN, onde foi avaliada a
temperatura axilar após a retirada da cobertura. Esse procedimento procurou
avaliar a necessidade e os benefícios da cobertura, assim como, os cuidados de
Enfermagem prestados a este RN quanto à manutenção da temperatura corporal.
Os dados e os resultados foram apresentados em tabelas e analisados à luz de
referencial teórico/ enquadramento conceptual. Para sistematizar a informação
utilizámos técnicas de estatística descritiva e da estatística inferencial. O
tratamento estatístico dos dados foi realizado informaticamente recorrendo ao
programa SPSS, versão 21.0 de 2012. O estudo foi aprovado pelo Comité de Ética
em Pesquisa da Instituição, sob ofício nº 070/11 e parecer nº 36/11,
respeitando os aspetos éticos e legais.
Resultados
Para facilitar a apresentação dos resultados inicialmente foi realizada a
caracterização dos RNPT que utilizaram a cobertura de polietileno para a
manutenção da temperatura corporal. E logo após foi descrita a eficácia de tal
cobertura com apresentação das variações da temperatura em graus Celsius (ºC) e
o tempo de permanência da cobertura (em minutos).
Quanto à caracterização dos neonatos, constatou-se que houve predomínio de RNPT
com idade gestacional média de 28 semanas e peso ao nascer médio de 1.041
gramas, conforme mostra a (Tabela_1).
Esses recém-nascidos apresentaram algumas variações de temperatura em graus
Celsius (ºC) em relação ao tempo de permanência da cobertura (em minutos). Ou
seja, com a aplicação da cobertura de polietileno para manutenção da
temperatura corporal do recém-nascido verificou-se uma variância de 0,5 ºC a
0,6 ºC. De modo a evidenciar que a cobertura, pode favorecer,
significativamente, na manutenção ou até mesmo no aumento da temperatura
corporal do RNPT nas primeiras horas de vida, conforme apresentado na (Tabela
2).
Optámos por tapar sempre a cabeça do RNPT, uma vez que, a cabeça corresponde a
25% da superfície corporal do RN.
A temperatura axilar, nos RNPT, foi verificada a cada seis horas, e a equipa de
Enfermagem vigiou continuadamente e sistematicamente os sinais e sintomas do
RNPT, considerando a necessidade de reduzir este intervalo de aferição a fim de
detetar mudanças óbvias ou subtis dos resultados clínicos basais ou
laboratoriais, de modo a obter deteção precoce de um problema, seja ele
potencial ou real, de maneira a reduzir o risco de complicações, em alguns
casos significa a diferença entre a vida e a morte.
O enfermeiro que presta cuidados na UTIN deve ter conhecimento do sistema
termorregulador do RNPT, considerando o aumento de sua viabilidade, superfície
corporal relativamente grande em comparação ao peso, isolamento térmico
inadequado, baixo peso e extremo baixo peso ao nascer, para reduzir o
manuseamento, melhorar os cuidados e minimizar a mortalidade e morbidade do RN
de risco.
Por isso, durante a permanência do RNPT na Sala de Neonatologia do CO e na
UTIN, é importante reforçar os benefícios da cobertura e dos cuidados de
Enfermagem como condições favoráveis e indispensáveis à manutenção da
temperatura corporal do RNPT. Constatou-se, portanto, com o presente estudo,
que o principal benefício da cobertura de polietileno é o aumento e conservação
do calor corporal do neonato prematuro.
Perante estes resultados, salientamos que o enfermeiro que intervém nestas
unidades pode e deve implementar estratégias de promoção da saúde e de
prevenção de fatores de risco para hipotermia, reduzindo, consequentemente, a
morbidade e mortalidade neonatal.
É fundamental que os cuidados de enfermagem sejam dirigidos / orientados para o
diagnóstico correto e a tomada de decisão clínica (intervenção de enfermagem
centrada na prevenção da hipotermia), conforme (Tabela_3).
Nos principais cuidados de Enfermagem direcionados à manutenção da temperatura
corporal do RN pode-se destacar: monitorizar sinais e sintomas de hipotermia
(queda de temperatura) e de hipertermia (aumento de temperatura, rubor facial,
sudorese); utilizar termómetro adequado, cobertura de polietileno e gorro ou
touca no RNPT, quando disponível e indicado; controlar o ambiente termoneutro
com monitorização da temperatura da incubadora.
Importante, também, são os cuidados antecipatórios ou de preparação para o
acolhimento do RNPT, como o aquecimento prévio dos equipamentos (incubadora ou
berço de calor radiante), o campo aquecido para envolver o neonato, e, também,
a higienização e o uso de luvas para o manuseamento e realização do exame
físico do neonato, onde a preocupação quanto à termorregulação deve ser
constante.
Para o cuidado junto ao RNPT e/ou com instabilidade térmica, torna-se
importante a utilização da SAE (Sistematização da Assistência de Enfermagem)
para possibilitar a identificação dos problemas reais, de risco ou situações de
bem-estar, com determinação dos diagnósticos de Enfermagem, para planejar um
cuidado direcionado à manutenção do equilíbrio da temperatura corporal e
implementar os cuidados de Enfermagem direcionadas a promover o ambiente
térmico neutro do RNPT, bem como proporcionar avaliação contínua para
identificar resultados alcançados e/ou outros problemas, como aquecer a cabeça,
já que esta corresponde a uma grande parte da superfície corporal e com ampla
perda de calor.
Discussão
Em concordância com os resultados do presente estudo, tem-se a avaliação de
estudiosos como Rolim et al.(2010) em que referiram que a perda de calor é
maior quando o prematuro é considerado extremo e de muito baixo peso, assim
como aqueles que se encontram sob calor radiante ao invés do ambiente
termoneutro da incubadora, mesmo quando há proteção contra perda de calor.
O RNPT é comumente hipotérmico em uma restrita faixa de temperatura ambiental,
com tendência a o desequilíbrio entre dois mecanismos básicos de
termorregulação, perda de calor aumentada e capacidade de produção endógena
diminuída. Por isso, a manutenção da temperatura corporal do RNPT torna-se
crucial nos diferentes ambientes em que o RN está inserido. Desde a sala de
parto em que há necessidade de evitar a perda de água transepidérmica e o
controlo de temperatura além da estabilização e a admissão à UTIN (Bissinger
& Annibale, 2010).
À medida que o neonato faz a transição para a vida extrauterina, a temperatura
central diminui em quantidades que variam com a temperatura ambiental e com a
condição do RNPT. Inicialmente, a temperatura central do RN reduz a cerca de 0,
3°C por minuto (Kenner, 2001). Indicando a necessidade de utilizar-se de
dispositivos como estratégias para manutenção da temperatura corporal do RNPT
nas primeiras horas de vida.
Para isso, o presente estudo, ressalta a eficácia da cobertura de polietileno
ao envolver o RNPT após o nascimento, de modo a identificar uma variância de
0,5 ºC a 0,6 ºC na manutenção da temperatura do RN após a sua utilização num
tempo médio de 37, 7 minutos. Dados, esses que corroboram com estudo de Çağlar,
Gözen, & Ince (2014) que evidenciou que a perda de temperatura corporal foi
significativamente menor no grupo de recém-nascidos envolvidos em saco de
polietileno em comparação com o grupo que foi coberto com saco de vinil durante
os 60 minutos após o nascimento. Levando a conclusão de que a utilização desses
dispositivos são estratégias favoráveis à manutenção da temperatura corporal do
RNPT.
As atividades de Enfermagem para tais recém-nascidos de risco devem ser
direcionadas ao cuidado holístico e resolutivo, utilizando-se de um diagnóstico
de Enfermagem principal, de risco, denominado de temperatura corporal alterada
(Rolim, Mendonça, & Ponte, 2012).
Para isso, nos cuidados de enfermagem destacam-se a manutenção da temperatura
corporal, em níveis normais, os quais podem ser alcançados por meio de
atividades como: secar o RN ao nascer para evitar perdas de calor por
evaporação, preparar o berço aquecido ou a incubadora dependendo da necessidade
do neonato, aquecendo-o o mais rápido possível e avaliar as suas condições
clínicas. Alguns procedimentos são responsáveis por promover a perda de calor
como: exame clínico, banho e transporte. Esses procedimentos devem ser
realizados juntamente com a monitorização dos sinais vitais, evitando assim
complicações (Rolim et al., 2010).
Dentre outros cuidados pode citar-se a utilização do termómetro adequado,
cobertura de polietileno e gorro ou touca no RNPT, quando disponível e
indicado. Para o uso do termómetro adequado pode confirmar-se com os resultados
alcançados com um estudo (Rolim et al., 2012), realizado em 2012, com 29 RNPT
internados em UTIN; onde se verificou a temperatura antes do manuseamento dos
profissionais da unidade, utilizando dois tipos de termómetros, o digital e o
de mercúrio. Sendo constatado que o termómetro digital ou termómetro eletrónico
portátil possui diversas facilidades que o nomeia melhor e ágil para
verificação de temperatura, favorecendo seu potencial e facilidade de
manuseamento.
Destacam-se, também, o uso do gorro e/ou touca em todos os neonatos prematuros.
Corroborando, portanto, com estudiosos (Rugolo, 2000) que apresenta o gorro ou
uma touca como instrumento útil para prevenir perda de calor pelo couro
cabeludo. E, portanto, que mantém e favorece o ambiente termoestável para o
RNPT na redução da perda de calor. Um ambiente termicamente neutro deve ser
controlado e mantido por monitorização da temperatura da incubadora, uma vez
que pode, facilmente, arrefecer ou aquecer.
Além disso, os cuidados inadequados e as condições anátomo-fisiológicas podem
desencadear episódios de hipotermia, definida como temperatura nuclear abaixo
de 35°C, sendo sugerido o uso de tecnologias que favoreçam a manutenção da
temperatura corporal do RNPT como oxigênio humidificado e aquecido, assim como
a incubadora aquecida (Scochi, Gaiva, & Silva, 2002).
Em caso da necessidade de transporte do RNPT, este deve ser realizado com
segurança, priorizando a manutenção da homeostase respiratória, hemodinâmica e
da temperatura. Os estudos dos problemas relativos ao transporte intra-
hospitalar de neonatos são escassos, mas pode haver alterações significativas
dos sinais vitais como temperatura corporal, frequência cardíaca e
respiratória, pressão arterial, saturação de oxigênio, pressão parcial de
oxigênio e do gás carbônico. Pesquisadores como Vieira et al. (2007) ressaltam
que, mesmo com o adequado preparo do RNPT, as condições inerentes ao
transporte, tais como barulho excessivo, vibrações e alterações de temperatura
comprometem a estabilidade clínica do neonato.
Torna-se relevante aos RNPT, portanto uma atenção diferenciada quanto à
termorregulação, pois quando expostos à hipotermia aguda respondem com uma
vasoconstrição periférica, causando metabolismo anaeróbio e acidose metabólica
que podem produzir uma constrição de vasos pulmonares, resultando na hipóxia,
metabolismo anaeróbio e acidoses adicionais (MacDonald, Mullet, & Seshis,
2007).
A ventilação, temperatura e humidade da unidade de internamento devem estar
adequadas às necessidades dos neonatos. Assim, a temperatura deve ser regulada
constantemente através do termostato e com um grau da humidade cerca de 65% ou
mais. O controlo da temperatura corporal do RNPT deve ser feito após o parto e
controlado na unidade de internamento, juntamente com a avaliação dos outros
sinais vitais como frequência cardíaca, frequência respiratória e tensão
arterial (Oliveira & Rodrigues, 2005).
Knobel, Wimmer, e Holbert, 2009 relatam, ainda, que a evaporação do líquido
amniótico presente na superfície corporal do RN pode ser considerado o
principal mecanismo de perda de calor no período pós-natal imediato. Estes
somam-se com as perdas de calor para o ambiente devido ao arrefecimento da sala
de parto ou transporte do neonato em direção a baixas temperaturas na admissão
na UTIN (MacDonald et al., 2007).
A atuação da equipa de Enfermagem na Sala de Neonatologia do CO nos primeiros
minutos é essencial, sendo utilizada a cobertura de polietileno pré-aquecida
por baixo de lençóis do berço de calor radiante para envolver o RNPT. Além da
remoção das toalhas molhadas e utilização de gorros para diminuir perdas por
radiação e até durante a reanimação do neonato. Ressalta-se que a cobertura de
polietileno deve ser mantida até que o RNPT se estabilize homeostaticamente, ou
seja, em geral espera-se cerca de 30 a 60 minutos (Bissinger, 2010).
Os RNPT são considerados mais vulneráveis para desenvolver hipotermia devido ao
menor depósito de gordura castanha e pela sua capacidade de produzir calor e
prevenir perdas estar afetada (Kenner, 2001). Portanto, o presente estudo
corrobora com a assertiva que a cobertura de polietileno se apresenta como um
dispositivo ou tecnologia efetiva para minimizar as perdas de calor, já que
favorece a manutenção e elevação da temperatura corporal do RN quando avaliado
no CO e admissão na UTIN.
Como um cuidado de Enfermagem também é relevante a importância do registo de
Enfermagem e a utilização da SAE como estratégia técnico-científica cíclica e
dinâmica. Esta pode favorecer a identificação das situações de saúde/doença,
subsidiando ações para os cuidados de enfermagem que possam contribuir para a
promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do RN, família e
comunidade em que está inserido. Já que a experiência da hospitalização do RN
exige, também, a capacidade de resposta e adaptação da família, pois as
expectativas normais do casal em relação ao filho, muitas vezes esperado e
idealizado, são frustradas quando este ao nascer, necessita ser internado e
muitas vezes de cuidados rigorosos (Silva, Barroso, Abreu, & Oliveira,
2009).
Cabe salientar, a importância da sensibilização da equipa prestadora de
cuidados com competência humana, relacional, técnica e científica na Sala de
Neonatologia e da UTIN sobre os conhecimentos dos fatores ambientais que podem
representar riscos durante o processo de adaptação neonatal. Tal facto exige
dos profissionais que ali atuam integração às metas implícitas num cuidado
humanizado e de qualidade, como organização, aperfeiçoamento do exercício
profissional, funcionamento adequado dos equipamentos, utilização e valorização
de tecnologias e dos materiais utilizados nos procedimentos (Rolim et al.,
2012).
Como limitação do estudo pode refletir-se a necessidade de pesquisas mais
aprofundadas e com maior nível de evidência de modo a possibilitar
transformações na prática baseada em evidência quanto aos cuidados de
enfermagem para a manutenção da temperatura corporal do RNPT.
Conclusão
Os resultados do estudo mostram a eficácia da cobertura de polietileno para a
manutenção da temperatura corporal do RNPT. Dentre os benefícios dessa
cobertura pode citar-se: a redução significativa da perda de calor, sendo este
método barato, prático e fácil de ser realizado não interferindo no
manuseamento do neonato.
A Enfermagem tem grande responsabilidade na manutenção do ambiente termoneutro
e deve estar atenta às boas práticas adotadas na UTIN, ajudando a reduzir a
morbimortalidade dos RNPT. A complexidade da prematuridade torna necessária à
utilização de tecnologias para à manutenção da temperatura corporal pode
destacar-se a utilização do saco de polietileno.
Dos benefícios da aplicação da cobertura de polietileno destacamos: as
melhorias nos cuidados junto ao RNPT quanto ao reconhecimento dos sinais
preditores decorrente do prejuízo da instabilidade térmica de modo a evitar
iatrogenias, reduzir custos hospitalares e tempo de internamento.
Ao terminar este trabalho estamos convictos da necessidade do desenvolvimento
de novos estudos. Portanto, sugere-se termorregulação eficaz, mudanças
atitudinais e desenvolvimento da profissão e melhoria da qualidade dos cuidados
de enfermagem.