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EuPTCVHe0872-81782012000500012

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variedadeEu
ano2012
fonteScielo

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Injeção de corticoide no tratamento de estenose esofágica refratária Injeção de corticoide no tratamento de estenose esofágica refratária

Steroid injection in the treatment of refractory esophageal stricture

Rita Carvalho∗, Miguel Areia, Daniel Brito, Sandra Saraiva e Ana Teresa Cadime Serviço de Gastrenterologia, Instituto Português de Oncologia de Coimbra, Coimbra, Portugal *Autor para correspondência

Caso clínico Apresenta-se o caso de um doente de 87 anos, referenciado à consulta por suspeita de neoplasia do esófago em endoscopia digestiva alta (EDA). Tinha antecedentes de doença coronária, doença de refluxo gastroesofágico, hérnia do hiato e hipertensão arterial, estando medicado com aspirina, diltiazem, furosemida, omeprazol e atorvastatina.

A EDA revelou, no esófago aos 25 centímetros, uma estenose infranqueável cuja mucosa circundante apresentava inflamação e friabilidade marcadas (fig._1). O estudo histológico mostrou tecido necroinflamatório sem células malignas. A tomografia computorizada (TC) toraco-abdomino-pélvica revelou espessamento do esófago proximal. Na presunção de se tratar de causa péptica, foi realizado ensino dietético, medicado com esomeprazol 40 mg 2 id e suspensa a aspirina.

Efetuou-se dilatação esofágica com balão «through-thescope» (TTS) até 10mm, revelando uma estenose regular com 2 cm de extensão, circunferencial, com inflamação difusa do esófago a jusante. Inicialmente com periodicidade semanal e depois quinzenal, efetuaram-se 14 procedimentos em 6 meses. O aspeto endoscópico mantinha-se semelhante, com estenose esofágica punctiforme (fig.

2). A repetição das biopsias e da TC confirmaram benignidade.

Perante ausência de melhoria, optou-se por complementar cada dilatação com terapêutica intralesional de corticoide no final do procedimento (7 mg de betametasona diluídos em 4 cc de soro, com injeção de 1cc por quadrante, no interior da estenose). Após 6 dilatações com injeção de corticoides em 6 meses, obteve-se melhoria franca, com a região da estenose franqueável e de aspeto cicatricial (fig._3).

Na reavaliação endoscópica aos 3 e 5 meses não houve necessidade de dilatação, mantendo-se o doente assintomático, medicado com esomeprazol.

As estenoses esofágicas podem ser benignas ou malignas. A causa péptica é a etiologia benigna mais frequente, apesar da diminuição na sua frequência devido à utilização de antissecretores1,2. A EDA com estudo histológico é o procedimento diagnóstico de escolha.

A dilatação endoscópica no tratamento das estenoses benignas tem como objetivos o alívio sintomático, a alimentação oral e evitar a aspiração pulmonar3. Se a etiologia é péptica, deve ser adicionado um inibidor da bomba de protões, para diminuir a necessidade de dilatações4. Existem os dilatadores sobre fio-guia (Savary-Gilliard) e os balões TTS1, não havendo dados que permitam afirmar a superioridade de um deles. A escolha depende da sua disponibilidade e preferência do endoscopista2.

A dilatação é eficaz na maioria dos casos; no entanto, as estenoses complexas podem ser refratárias. São modalidades de tratamento adicionais a injeção intralesional de corticoide, a terapêutica endoscópica com facas nas estenoses fibróticas5, a colocação temporária de próteses, a utilização de próteses biodegradáveis e, em último caso, a cirurgia1.

Acredita-se que a injeção de corticoide interfira na síntese de colagénio, na fibrose e no processo de cicatrização6. Não diferenças entre os vários fármacos relativamente à eficácia. Deve ser feita, sempre que possível, antes da dilatação, no topo proximal e no interior da estenose, não havendo um número mínimo definido de sessões1.

Com este caso, pretendemos demonstrar, à semelhança de trabalhos nacionais anteriores6, que a injeção de corticoide pode ser um tratamento eficaz nas estenoses benignas refratárias. Optámos pela não utilização de prótese, dado o diâmetro da estenose ser muito inferior ao das próteses existentes no mercado.


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